terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pontos de mestres da Umbanda

Berlamino, meu menino
Chaveiro do outro mundo
Vai buscar os Srs. Mestres
Naquele porâo tâo fundo

Corre-corre meu cavalo
Meu cavalo é corredor
Vai buscar os Srs. Mestres
Na santa paz do Senhor

Corre-corre meu cavalo
Meu cavalo é alazâo
Vai buscar os Srs. Mestres
No reino de Salomâo

Corre-corre meu cavalo
Meu cavalo é singular
Vai buscar os Srs. Mestres
No tronco do juremá
(de Panema a Urubá)
(de Gameleira a Bom-Florá)
(que nâo prometem prá faltar)


2. Existe no mar uma muralha
E feliz de quem ela avistar
É a muralha das Três Donzelas
Que moram no alto mar

No fundo do mar têm areia
As águas do mar têm ciência
Que se ver pertubado neste mundo, ai meu Deus
Peço a Deus que lhe dê pasciência
Segura eu juremá, segura eu
Conforta eu juremá, conforta eu

Sustenta eu no mundo, sustenta eu
Protege eu juremá, protege eu

Meu povo siga comigo
Para a cidade do outro mundo
Mas é preciso fé e coragem
Para os trabalhos do outro mundo

Eu dei um tombo na jurema e o mundo veio
Eu dei um tombo na jurema e o mundo vai
Sentado numa mesa de jurema
Eu só temo a Deus do céu e nada mais


4. Ô Jurema encantada
Que nasceu de um frío châo
Dai-me forças e mais ciência
Das que destes a Salomâo


Dai-me licença Mestre
Para eu saudar a tua jurema
Jurema é pau sagrado
É raíz que Deus ordena


Salomâo bem que dizía
Aos seus filhos juremeiros
Para entrar nesta seara
Peça licença primero


Salomâo bem que dizía
Aos seus filhos juremados
Para entrar nesta ciência
Têm que ser bem preparado
Dizem que a Jurema amarga
Mas para mim é um licor
A jurema com seus frutos
Os seus filhos alimentou

A Jurema bota flôr
A Jurema bota bagem
E com a bagem da Jurema
Eu afastarei todos os contrários

Afastarei...

5. Vamos saudar a Jurema
Fazer a nossa obrigaçâo
Vamos saudar o cruzeiro mestre
Vamos saudar Salomâo

6. Ô que cidade tâo linda
É a cidade do rei Salomâo
Mas bem no centro daquela cidade
Existe um médium caido no châo

Salomâo, Salomâo, Salomâo
Me levante este médium caido no châo

7. Estava sentado na mesa da jurema
Estava sentado balançando meu maracá
Foi nessa hora que eu abalei a Jurema-Preta
Mestres de cidade, dê um tombo e venha cá

Eu estava sentado na mesa da Jurema
Ví disciplo caído, sem poder se levantar
Foi nessa hora que eu abalei a Jurema-Preta
Mestre de cidade, dê um tombo e venha cá

É juperê neguê
É juperê naguá
Arreia Srs. Mestres
E vamos trabalhar
Eu venho da minha aldeia
Saudando a nossa Umbanda
Salve Deus e salve a Luanda
Salve Srs. Mestres
Nos terreiros de Umbanda

No pé da Jurema-Preta
Têm dois pitiguarís cantando
Um canta e o outro responde
Meu mestre eu estou te chamando

No pé da Jurema-Preta
Juntinho de Nossa Senhora
Um canta e o outro responde
Meu mestre, eu cheguei agora

Ô Jurema-Preta senhora rainha
Tu és dona da cidade, mas a chave é minha

Eu venho da minha aldeia
Saudando a nossa Umbanda
Salve Deus e salve a Luanda
Salve os senhores mestres dos terreiros de umbanda


9. Jurema, minha jurema
Jurema, jurema minha
Tu és a senhora rainha
És dona da cidade
Mas a chave é minha

10. Jucazinho,
Jucá de Deus
Brota, nâo brota
Nâo bota flôr

Deixa brotar, deixa fulorar
Deixa eu saudar o meu Vajucá
É um rei, é um rei – é um rei-iá
Que eu vou chamar – é um rei-iá
Prá trabalhar – é um rei-iá
Jurema-Preta,
Eu conheço pela tinta
Salve a Jurema sagrada
E o gongá de Zé Pilintra

Salve a Jurema sagrada...


Vamos, meu mestre vamos
Vamos a cidade trabalhar

Pois eu só trabalho bebendo, fumando
Cantando, tocando o meu maracá

13. Licença Srs. Mestres
Licença queira me dar
Que eu venho de muito longe
Da capital do Pará
Com ordem de Jesus Cristo
Eu venho para trabalhar
Eu trago dois é com chapéu na mâo
Eu trago três com meus cachimbinhos
Defumando os passarinhos


14. A Jurema é minha madrinha
E Jesus é meu protetor
A jurema é um pau sagrado
Onde Jesus descansou
Você que é um bom mestre
Me ensine a trabalhar
Numa mesa de jurema
Ou no tronco do juremá

O segredo da Jurema
Todo o mundo quer saber...
...Mas é como casa de abelhas
trabalha sem ninguém ver!

Para Ofrecer el Licor de Jurema

16. Jurema
É um pau encantado
É um pau de ciência
Que todos querem saber

Mas se você quer Jurema
Eu dou Jurema a você
Mas se você quer ciência
Deus dá ciência a você

Você bebeu jurema foi prá trabalhar
Você bebeu Jurema prá saber do bem e do mal


17. É hora meu mestre
Meu mestre é hora


O mamoeiro tora com o balanço do vento
Eu já fiz meu pensamento
E quero ver você agora

Mano meu, responda meu mano
Se um mestre quando é bom mestre
Se comete um engano?

Um mestre quando é bom mestre...
Um mestre prá ser bom mestre...
18. Eu venho tocando a minha gaita mestra
Lá do tronco da jurema
E um bom mestre eu vou saudar

Eu vou, eu vou, eu vou
Eu vou alí já volto já

19. Pedra rolou de cima da samambaia
Afirmando o Jurití, balança mas nâo cái
Meu jurití
No mundo foi macumbeiro
Trabalhava noite e dia
De rrubando os feiticeiros

20. Jurema “fulorou” do anjico ao vajucá
Desenrrola estas correntes
Deixe o médium trabalhar

Quem deu este nó nâo sabia dar
Este nó mau dado, eu desato já


21. Eu trago imburana de cheiro
Do anjico e do vajuca
Eu tô, tô na jurema...

...Tô tô no juremá


22. Sabiá cantou na gaiola
Meu mestre,
Eu quero o meu camaleâo


Prá trabalhar – eu quero meu camaleâo
Prá triunfar – eu quero meu camaleâo
Prá a firmar – eu quero o meu camaleâo
Prá me ajudar – eu quero o meu camaleâo
Prá açoitar – eu quero o meu camelâo
23. Ciência,
Nâo se encontra em qualquer lugar
É um dom que Deus dá
Quando agente nasce já trás

Ô meu amigo, minha amiga
Nâo faça o que os outros faz
Que aí você se atrapalha
Porque quer saber de mais

24. É bonito e tem que ver
Um pau seco “fulorar”
É bonito e tem que ver
Os senhores mestres na mesa do juremá

Eu triunfei, triunfei
Vou triunfar
Triunfa senhores mestres
Na mesa do juremá

A Serra-Negra gemeu
Ai meu mestre, me diga:
O que eu faço?
Ele é um mestre e bom Mestre
É bom amigo é bom pai

Eu nâo ví cancela bater
Eu nâo ví boiada passar
Ele é um mestre e bom mestre
É bom amigo e bom pai


26. Disseram que esta casa nâo prestava
Que os senhores mestres
Só desciam prá beber
Mas ninguém sabe o valor que eles tem
Pois os Srs. Mestrem nunca fazem mal a ninguém,
Só fazem o bem
27. Lá no pé do dendezeiro
Meu maracá é dendê só
Lá no pé do dendezeiro
Eu nâo conheço maior

Arreia arreia maiangá
Arreia arreia maiangá

28. Salve o mestre Junqueiro
Que vem da lagoa do junsso

Juncando eu venho, juncando eu vou
Desembaraçando eu venho
Desembaraçando eu vou

Na direita eu sou bom mestre
E na esquerda obsessor

29. Moça dei-me um copo d’água
Da lagoa do capím
Se essa lagoa secar
Moça o que será de mim?


30. Sego é quem nâo enxerga
Por uma serca de vara
Nâo há quem cuspa prá cima
Que nâo lhe caia na cara

31. Eu entrei de mar à dentro
Com minha barca dourada
Nâo jugue a vida dos outros
Para a sua nâo ser julgada


32. Dentro do meu peito eu trago
Sete palmeirôes dourados
Eu sou pavâo eu sou pavâo
Eu sou um príncepe encantado
33. Uma folha seca
Do châo apanhei
Para botar no meu cachimbo, Srs. Mestres
Os catimbós eu desmanchei

34. Eu mandei chamar o mestre
Sei que ele nâo me enganou
Mas ele vem, vem, vem
Mas até agora nâo chegou

35. Minha cachimba está no touco
Eu mandei o meleque buscar
Mas naquele bole-bole
O meu cachimbo ficou lá

Pontos da corrente de Zé
36. Quem foi que viu Zé Pilintra
Brincando neste salâo
Com a sua garrafa de pinga
E seu charuto na mâo

Dentro da Vila do Cabo
Foi primeiro sem segundo
Na boca de quem nâo presta
Zé Pilintra é Vagabundo


Dentro da Vila do cabo
Sete vendas se fechou
Foi com a “fumaça contrária”
Que Zé Filintra mandou

Sr. Doutor, Sr. Doutor – Bravo senhor
Zé Pilintra chegou – Bravo senhor
Com os poderes de Deus – Bravo senhor
Zé Pilintra sou eu – Bravo senhor
E se você nâo me queria – Bravo senhor
Para que me chamou? – Bravo senhor
Ô dilim dilim – Bravo senhor
Ô dilim dilá – Bravo senhor
Viva a Deus primeiramente – Bravo senhor
Zé Pilintra no gongá – Bravo senhor

37. Chapéu amarelo
Que vem do Pará
É José Filintra, meu Deus
Na mesa, arriá

O que será será
O que será serei
O que será será
O que será serei

Olhe para o céu
E veja uma luz
É José Filintra,meu Deus
Que recebeu a luz

Deus lhe dê maior poder
Da maior força que tem


38. Foi na matriz de Belém
No altar da Conceiçâo
Defumando esta casa
Com os poderes da Santíssima Trindade


Ô meu bom Jesus
Ele queira me guiar
Pois na Matriz de Belém
Têm um Pai Celestial

Eu rompo matas e brenhas
Nas varandas do juremá
Eu me chamo Zé Prá Tudo
Prá que mandou me chamar?
N’aquele pau acima tem um rei
Corre um cipó mocunâm
Naquela galha a fora
Canta um pássaro é o rei cauâm

Canta rei, canta rei cauâm
Canta rei canta rei cauâm

39. De uniforme branco
Com sua bengala
Nas encruzilhadas, dilim dilim
Sr. Zé dá risadas

Ele nâo tem parentes
E nem aderentes
Na encruzilhada, dilim dilim
Sr. Zé tem patente


Zé dos Montes é só, é só só
E nâo tem parentes
Na encruzilhadas, dilim dilim
Sr. Zé tem patente


40. Zé Felipe andou no mundo
Curando e fazendo o bem
Infeliz de quem Zé odeia
E feliz de quem Zé quer bem


41. Sou eu que me deito tarde
Sou eu que me acordo cêdo
Sou eu que ando falado
E das linguas nâo tenho medo


Mas quem me dever, quem me dever
Olhe prá trás e veja quem sou eu


Ô que cana dôce
Ô cana caiana

Chegou Zé da Pinga
Com suas baianas

43. Ele se chama Zé Vieira
Nêgo do fé derramado
Quem mecher com os filhos seus
Ou tá doido ou tá danado
Figurâo...
...Pisa macumba no châo

44. Sr. Zé gosta de cana
E a cana gosta de Zé
Sr. Zé vira a cana
E a cana nâo vira Zé
Chegou um bêbado no meio do salâo
E no meio do salâo apanhou de cipó

Mas Sr. Zé, qual é o pó?...

45. Sr. Zé tem uma bengala (Zé da Bengala)
Que na ponta dela têm sete fivelas
Enimigos que apanham com ela
Ou dá um coça-coça ou dá um pela-pela

Ou dá um coça-coça...

46. O relógio trabalha com corda
E ogalo só canta se comer
A jurema trabalha com mestre
E Sr. Zé só trabalha se beber

É uma cobra, é um tigre, é um leâo
A fumaça de Zé bota um no châo

E a garrafa de cana de quem é?
É do mestre Zé
É do mestre Zé

1. José Pretinho, meu neguinho
Tire o chapéu da cabeça
Mas quem tiver bom-bote
E quem nâo tiver nâo semeta

Eu quero o meu seviço feito
Na sombra de um pau linheiro
Eu vou cortar galho de Jurema
Prá dar lapada em feiticeiro

O pau pendeu o pau pendeu
Na Jurema chegou eu
O pau pendeu, mas nâo caiu
Eu passei pela Jurema e ninguém nem me víu

2. Eu cheguei, eu cheguei
Eu cheguei agora
Eu vim de lá de meu bequinho
Do Anjico ao Vajucá
Meu apelhido é Zé Bebinho

3. É no romper do sol
É no raiá da lua
Chegou Sr. Zé Bebinho
Bebinho do meio da Rua


Sua mâe bem que lhe disse
Bebinho, nâo beba nâo
Com o copo de cachaça
Eu deixo o dicípulo no châo


Mas eu bêbo, bêbo, bêbo
E ninguém tem conta com isso
Com meu copo de cachaça
Eu desmancho qualquer serviço
4. Sr. Zé vira o beco (Zé do Beco)
E no beco virou
Na virada do beco
Sr. Zé me enganou

Fui eu que cortei o pau
Fui eu que fiz a jangada
Fui eu que robei a moça
Casei na encruzilhada

Fui eu que cortei o pau
Fui eu que fiz a gamela
Fui eu que robei a moça
Eu mesmo casei com ela

6. Ah Sr. Guarda nâo me prenda
Nâo me leve pró quarté
Eu nâo vim fazer barulho
Eu vem buscar minha mulher

7. Zé, ô Zé
Mas que Zé enganador
Que enganava as filhas alheias
Com palavra de amor
Mas nâo fui eu que enganei ela
Foi ela quem me enganou
Quando me via vinha correndo
Vem Zezinho meu amor

8. Eu estava no jôgo – ô mulher
Eu estava jogando – ô mulher
Meu dinheiro acabou – ô mulher
E fiquei chorando – ô mulher


9. Saia da linha menino
Que na linha passa o trem
Eu quero o saber de quem sabe
Só quero o saber de quem tem

Saia da linha menino
Nâo vá fazer o que quer

Quem deve a Deus paga a Deus
E quem deve a Zé paga a Zé

Salve Zé...
...Macumbeiro ele é!

10. Viva Deus no céu, viva Deus
Viva Deus no céu e salve Zé


Viva Deus no céu no caminho
Viva Deus no céu Malunguinho


Viva Deus no céu no Sertâo
Viva Deus no céu Bigodâo

Viva Deus no céu nas pedreiras
Viva Deus no céu Aroeira

Viva Deus no céu no salâo
Viva Deus no céu Gaviâo
Salve Zé
Macumbeiro ele é

11. Mas ô Sr. Zé
Quando vem lá de Alagoas
Tome cuidado
Com o balanço da canoa

Mas ô Sr. Zé
Você é meu camarada?
E no meio de tantas moças
Robou minha namorada...

Ô Sr. Zé
Mas cadê o seu dinheiro
Prá comprar sua bicada
E meter o pau é no bodegueiro...


12. Lá vem Zé, lá vem Zé
Lá vem Zé lá da jurema
Chegou Zé, chegou Zé
Chegou Zé do juremá


Quando Sr. Zé vem da jurema
Todo o mundo quer lhe ver
Sr. Zé nâo desce em uma mesa
Que nâo tenha o que beber

Prá Sr. Zé - tem tem tem
Prá Sr. Zé - sempre terá
Prá Sr. Zé – tem o que beber
Prá sr. Zé – tem o que fumar


13. Sr.Zé quando tem um filho
Que nâo pode dominar
Ele faz pelo sinal, faz a sua oraçâo
Faz um símbolo Salomâo
E dá ao diabo prá pisar

Eu ouví trupé de cavalos
Eu ví esporas tinir
Abre-te rochedos de pedras
Prá Zé Vaqueiro sair
16. Salve o mestre Zé Pereira
Pereira vem
O mestre Zé Pereira
Nunca fez mal a ninguém

Só matou pai, matou mâe
Matou quem lhe criou
Matou o corno do padre
Que lhe batizou


17. Pelo alto da serra eu venho (Zé de Aguiar)
Com minha guiada na mâo
Venho amansando os touros bravos
Venho dominando os coraçôes


Santo Antônio é santo grande
E a sua corôa é maior
Eu pego a linha e puxo a ponta
E em cada ponta eu dou un nó


Vaqueiro nâo vá na serra
Que o touro urrou na maiada
No grito da Serra Negra
Chegou José de Aguiar


18. Eu me chamo Zé da Bagaceira
Que vocês ouviram falar
Trabalhava o dia todo
Dentro dos canaviáis


Mas lá no seu engenho
Ele só tem é Cana-Fita
Ele se chama Zé da Bagaceira
Do Alto da Bela-Vista
19. Eu pulo porta e janela
Eu subo em pedra e rochedo
Meu nome é Zé Bagaceira
Meu apelhido é Bate porteira
Bate bate porteira...

20. Ah! Quem tiver durmindo acorde
Quem tiver durmindo acorde
Que meu relógio já deu hora

Pobrezinho de Zé Menino
Vem chegando vem de mundo á fora

E na bola de seu apito
E na bola de seu apito
Tem semente de jurema

Ele é moleque ele é menino
Ele é menino ele é traquino


21. Mas sou eu Zé de Buique
Mas sou eu Zé de Buique
Um cagaceiro lá do sertâo
Um cangaceiro...

Eu só confío em Deus do céu
Eu só confío em Deus do céu
E na ponta do meu facâo
E na ponta...

22. Meu mestre zabumbeiro
Vossa mercê como se chama?
Sou chapéu de ouro
Sou José de Santana

23. Sou eu José dos Anjos
Que cheguei na sua aldeia
Sete anjos me acompanham
Sete velas me alumeiam

No caminho de Santa Rita
Eu passei por Cuantro Cantos
Dando o nome de Filintra
Mas meu nome é Zé dos Anjos

Zé dos Anjos serei
Zé dos Anjos serás
Sou um mestre bom da jurema
Sou rei de meu juremá

É um rei é um rei é um rei riá
Triunfa Zé dos Anjos na mesa do Juremá

Eu nascí no raiá do dia
Eu me criei com o clarâo do sol

Mas a chegada do Mestre Zé Dantas
É ouro só, é ouro só


25. Eu andei o mundo em roda
Sem saber onde baixar
Encontrei as minhas forças
No reino do juremá

Mas eu estava na praia
Caçando minhoca
Eu sou cabra-danado
Eu sou José das Marocas

26. Eu sou barro branco massapê tauá
Sou ferro velho de engomar quebrado
Cavo buraco no seco, dou no seco e no molhado
E depois do buraco feito eu quero ver nêgo enterrado


Na virada do beco...
27. Quem tiver olhos veja
E nâo vâo se enganar
Zé Bragança éo rei
Lá do seu Juremá

Canta rei canta rei cauân...

(Pontos para chamada de Srs Mestres em geral)


28. Mestre Carlos é bom mestre
Que aprendeu sem se ensinar
Sete dias passou caido no tronco do juremá
Quando ele se levantou foi pronto para curar

Amigo dai-me um cigarro
Que eu também sou fumador
A pontinha que eu trazia
Caiu na água e se molhou

Quem se for de aqui prá cima
Se achar um lenço é meu
Com um escrito na ponta
Carlos Gonçalo sou eu

Amigo dá-me uma bicada
Queu também sou bebedor
A garraf que eu trazia
Cai no chaô e se quebrou

Carro nâo sem boi
E eu nâo ando sem beber
A força da roda grande
Faz a pequena moer

Eu nâo gosto de cachaça
E nem meu mano gosta dela
Eu bebo sete garrafas
E meu mano sete tigelas
29. Eu venho de tâo longe
Cansado de caminhar
Eu trago uma vela acesa
Prá meus caminhos clarear

Palmeira é bom mestre
É bom mestre e é coroado
Palmeira é bom mestre
Ele é do campo ele é do mato

Com três anos de idade
Eu fui jogado na mata escura
Com três anos de idade
Arrudiado de Palmeiras

Foi no pé da gameleira
Onde eu fiz a minha morada
Foi no pé da gameleira
Criador de Palmeira


Palmeira – Palmeira na jurema
Palmeira – Também sabe trabalhar
Palmeira – A sua força eu vou saldar
Palmeira – É do anjico ao vajucá

Sou eu Benedito-Fumaça
Sou eu maquinista de trem
Fui passado em uma virada
E nâo temo passar ninguém
Qundo eu vinha de meu aplanauto
O meu trem desincarrilhou
Duzentas e setenta pessoas
Debaixo de meu trem ficou

Engata o carro Benedito
Na estaçâo da Gameleira
Engata o carro Benedito...

31. Puxando a minha carroça
Com ela eu vou trabalhar
Me chamo Antonio Pereira da Silva
Sou conhecido como mestre Preá


Sou um mestre garranchinha
Eu toco fogo no além...


Eu quero ver Preá correr
eu quero ver...


32. Sou sou da pecheira
Eu sou do punhá
Eu sou da Mustardinha
Meu nome é Preá


33. Ê ê ê
Eu nâo vejo bulir
Eu nâo vejo bulir
Eu nâo vejo bulir
Eu nâo vejo o mar


Foi o peixe baleia ô
Que me ensinou a nadar


Valei-me Nossa Senhora
Valei-me os peixinhos do mar
Valei-me a tuninha branca
Estou saudando Tubarâo-Siringá
Estou chamando...
Estou saudando....

34. Eu sou uma cobra que mora no mato
Eu sou um peixe eu sou ruim de descamar
Nâo há corrente mais forte que seja
Que Cobra-Verde nâo possa desmanchar

Eu sou leâo do chale chale
Eu sou leâo do chale eu sou
Eu tenho forças de sete leôes
Eu tenho forças para quem duvidar


35. Meu Galo-Preto dos pés amarelos
Triunfa meu Galo e só faz o que eu quero

Meu Galo-Preto da corrente Canindé
O que fazem com as mâos ele desmancha com os pés

Meu Galo-Preto meu serviço é com vocè
É com pemba preta e com azeite de dendê

Meu Galo-Preto faz curú cú cú
Trabalha meu galo na linha de exú

Meu Galo-Preto da baixa magía
Trabalha de noite, de noite e de dia


36. É pemba preta, é pemba roxa
É pemba encarnada
Já chegou Sr. Galo-Preto
Das encruzilhadas

Sou eu Madeira Verde da Mata
E amargo mais que folha verde
Sou eu Madeira Verde da Mata
Estarei onde a paz de Deus esteje

Desmanche esses nós dos meus caminhos
Sou eu Madeira Verde da Mata
Eu entrei na mata e ninguém víu

Eu fui buscar um pau na mata
Eu fui buscar madeira
- Madeira
Madeira ele é bom mestre
- Madeira


38. Eu vou a cidade dos mestres
Eu vou que a cidade chamou
Eu vou a cidade dos mestre
Com pisa Pilâo, meu pilâo deitou

Eu vou a cidade dos mestres
Eu vou a cidade real
Eu vou a cidade dos mestres
Com Pilâo Deitado eu vou triunfar

Chico Braga nâo morreu
Eu vou dar parte ao delegado
Eu vou chamar a tropa volante
Prá prender Pilâo Deitado

Pisa pisa meu Pilâo
Meu pilâo deitou


39. Deitou, mas nâo deitou
Pisa pisa meu Pilâo
R -Meu Pilâo deitou


40. O meu Pilâo ele tem duas bocas
O meu Pilâo ele tem duas bocas

-Eu piso numa
R -Piso numa piso n’outra


41. Quem pisa, quem pisa
Quem pisa no meu Pilâo?
Com as contas do meu rosário
Eu domino qualquer coraçâo
Eu domino – qualquer coraçâo
Eu abrando - “ “
Eu abrando - “ “
Eu enlaço - “ “


42. Pilâo Deitado foi preso
Numa cadeira de aço
Cortaram a cabeça dele
Deixaram o corpo em pedaços


43. Quem vai dar quem vai dar
Quem vai dar no Bola-Preta?
Quem vai dar quem vai dar
No meu boi tourino careta
Meu boi tourino, careta minha estrêla baiana
Eu sou como Zé Pilintra
Que só trabalha cantando
Eu venho de fala mudada
Tocando o meu violâo
Eu sou de uma peça boa
Que só trabalha com pisa Pilâo


Pisa Pilâo...

44. A água do mar gemeu
Quando Ventania nasceu
Dentro da perversidade
Nasceu mais um irmâo meu


Muralha minha, muralha minha
Muralhaminha – Ventania nasceu
Muralha minha – Ventania sou eu


45. Salve o Mestre Ventania
Salve o mestre Ventania
Ventania é filho de Ogum Touperinâm
E o rei dos ventos é Ventania


O rei dos ventos...

46. Eu corrí terra e corrí mar
Até que eu cheguei na minha Bahia


Mas ele é Oxossi nas matas
Ele é Arranca-Touco
Ele é Ventanía


47. Na direita ele é um mestre
E na quibanda ele é Exú
Ele é mestre de Jurema ele é
Salve exú é Ventania


48. Todos coqueiros abalavam
Todos coqueiros pendíam
Todos coqueiros abalavam
Com a força de Ventanía

49. Eu dei um grito na serra
Que a terra estremeceu
Dentro da minha cidade
Só quem é mestre sou eu

Disciplo toma cuidado
Disciplo toma sentido
Jôga a cachaça no mundo
E deixa o reto comigo

Disciplo toma cuidado
Matéria toma juizo
Jôga a fumaça no mundo
E deixa o recado comigo

Disciplo toma juizo
Matéria tu olha lá
Quando a cabeça nâo pensa
O corpo é quem vai pagar

Eu vinha descendo a serra
Eu vinha correndo o mundo
Eu sou um mestre malvado
Meu nome é Vira-Mundo

50. Eu só peço a Deus que nâo chova
Prá nâo molhar meu chapéu
Pois se chover molha tudo
E Sr. Vira nâo vai pró céu


Chuva vai chuva vem
A que chuva miuda
Nâo molha ninguém


Manoel de Panema no dendê – bis
Eu ví Macambira e Pomba-Gira
Eu ví Sr. Vira no dendê
51. Antes de haver dendê
Os urubús já comiam
Ele é Sr. Vira Mundo
Que só trabalha na baixa magía

52. Pemba cadê Vira Mundo, ô pemba
Tá no terreiro, ô pemba
Galinha preta na encruzilhada
Gato negro corredor
Sustenta o ponto minha gente
Que Vira Mundo chegou


53. Nas asas de um papagaio
No bico de um piriquito
Sustenta a pisada do mestre ô
Quem tá no ponto é Canito

Balança a maraca do mestre
Assoita a gaita disciplo
Ele é um mestre pequeno e dá
Dá conta de seu serviço


Nas asas de um papagaio
No bico de um passarinho
Ele vai mostrar prá vocês ô
Como desmacha este ninho

Deseninha
Deseninha os caminhos


54. Ele é Canito do fôgo
Ele é filho de Satanás


Eu quero ver lá no inferno
Quem é que pode mais...

101. Mestre Mariano
Quando ele nasceu
Trouxe uma virtude
De Nossa Mâe de Deus

Mariano
Baiano ele é...

102. Já chegou o mestre Repara
Que a cidade lhe chama
Le veio levar contrário
Ele veio vencer demandas

103. Repara repara
Repara quem vem lá
Mas repara nos caminhos
Pros enimigos nâo passar


Repara repara
Repara e repara bem
Mas repara nos caminhos
As horas de Deus, Amém!


104.Eu foi ante-ontem
Prá voltar ontem, meu bom mestre
Eu cheguei lá caí doente
Por uma picada de uma cobra cobra
Sei que eu nâo sou mais gente

Quem corta capina meu bom mestre
Foi eu quem mandou cortar
Sou o mestre Odilón
Do tronco do juremá


Capinheiro...
Corte meu capím assim

105.Eu sou Manoel Maior
Lá do pé-da-serra
Eu venho triunfando
Eu venho vecendo guerra

A minha mâe me disse
Que nâo tenha meda
Eu sou caboclo feiticeiro
O que é que vou temer?

Bota na cuia que eu quero beber
E depois que eu beber
O pau vai comer...

106.Eu destampei minha panela
Eu vou soltar meu mangangá
Enemigos tome cuidado
Quando o mangangá chegar

Bezouro Preto
Bezouro Preto Mangangá
Nâo querem que eu venha
Nâo querem que eu vá
Nâo querem que eu mande
O meu Bezouro prá lá

Eita bicho prá voar – Bezouro Mangangá
Eita bicho prá azuar – Bezouro Mangagá

107.Ê pisa pisa
Ê pisa no châo de maneiro
Quem nâo pode com a formiga
Nâo assanha o formigueiro

Ê pisa pisa
Ê pisa no châo devagar
Se nâo pode com o Bezouro
Nâo assanhe o mangangá
Se nâo pode com o Bezouro...
108.É na fulô – ronca o Bezouro
É na fulôr – deixa roncar
É na fulôr – ronca o Bezouro
E esse Bezouro é Mangangá


109.Eu estava na beira da linha
Fazendo macumba quando o trem passou
Me jogaram um balaio de martelo
Que veio do inferno que o diabo mandou


Pau-Ferro
Pau martelou...


Pau martelou Pau-Ferro
Pau martelou Pau-Ferro
Pau martelou Pau-Ferro
E a pisada é essa Pau-Ferro


E a lapada que eu dou – é de vagar
Faz o nêgo chorrar – é de vagar



110.Eu estava na mata
Limpando o meu terreiro
Mandei chamar o mestre Pau-Ferro
Matador de feiticeiro

Ô que cidade tâo linda
É aquela que eu estou avistando
É a cidade de CamposVerdes, Srs. Mestres
É a cidade de Tertuliano

E eu aviso aos Srs. Mestres
Que a minha cidade ela tem ciência
É de Panema, é de Panema
Tertuliano trabalhando na Jurema


E Ele me ordenou
Para um dia eu trabalhar
Eis tertuliano Srs. Mestres
Lá do Juremá


Olha lá Tertuliano
Os teus prícipes estâo te chamando
Com os poderes de Jesus Cristo
Malefícios transportando


E o menino está chorando
Na torrinha de Belém
Cala a boca menino
Que o recado vem


113.Ele é Tertuliano
Morador da Gameleira
Matou gente e bebeu sangue
Só nâo saiu na carreira


Ele é Tertuliano
Morador dos Afogados
Na direita ele é bonzinho
Na esquerda ele é malvado
114.Eu vou subir lá na serra
Eu vou saudar uma Jurema pesada
Eu vou saudar o meu pai Benedito
Eu vou saudar as encruzilhadas


Nagô nagô nagô
Êh! Na Bahía tem Xangô


Na Bahía de meus sonhos
As águas do mar serenou
Abalando a cidade de Benedito Nagô


115.Eu fui prá mata, eu cortei lenha
Eu carreguei para o segundo andar
Andando, eu vou dizendo
Anda ligeiro prá gente triunfar


Eu fui prá mata caçar imbira
Eu só achei uma imbira vermelha
Eu ouví um mestre dizendo
Mestre Joâo Ojá nâo trabalha em aldeia


Eu fui prá mata
Eu cortei meu cipó
Eu torcí bem torcido
Eu calado é melhor

Eu torcí bem torcido...


116.Estava no meio da mata
Quando ouví uma cobra piar
Ela avisava a nós dois
O que iá se passar
Corte o pau machadeiro
Corte o pau bem de vagar
Se nâo tver bem cuidado
Um de nós dois vai ficar

Machado bravo corta
Machado bravo cortou
Arranque a rama e a raíz
Que Arranca-Touco chegou

Camarada bom é irmâo do outro
Quando um corta o pau
O outro arranca o touco


117.As estradas sâo suas
E os caminhos sâo meus
Mas eu sou Paulino
Em nome de Deus

Entre os vivos e os mortos
Eu nâo vou confiar
Mas sou eu Paulino
Lá do juremá

Êh! Dái-me licença Srs. Mestres
Para Paulino trabalhar

É anjico preto
É anjiricó
E eu só me acho satisfeito
Na mesa do catimbó

Eu só me acho satisfeito...

119.Na Jurema eu nascí
Na Jurema eu me criei
Na Jurema eu nascí
Juremeiro eu serei
Eu peço forças a meu Jesus
Para eu poder continuar
Para ajudar os meus filhos
Quando de mim precisar

120.Sou eu juremeiro
Mestre velho da Bahía
Eu sou um baiano velho
Trabalho na baixa-magía
Bêbo jurema, aguardente eu bêbo mais
Com liambas e maconhas eu resolvo os meus trabalhos

Eu vim da Bahía atravessei o oceano
Me sustente esta gira Sr. Augusto Baiano


121.Valei-me Cristo
No morro nâo tem igual
É ele Antônio da Palha
Perigoso marginal


Eu pego pássaro na arrevoa
Puxo cobra pelo rabo
Cururú piso de pé
Eu sou filho da maconha
E querido das mulheres
Fumei maconha, fumei maconha
Fumei maconha nas encruzilhadas
Fumei maconha fumei maconha
Fumei maconha lá no pé do morro

Fumei maconha, fumei maconha
Eu fui assautante da rua da Gama

122.Do Pina à Boa Viagem
Tem um farol que parece um día
Eu aviso a todos vocês ôh
Que nâo se enganem com o foral do Matías

Sou eu Durval, correio do mundo
Meu saber é profundo nas ondas do mar
A Dona Chiquinha ela me falou
Dizendo eu lá nâo vou; na fundura do mar

Eu sou minero eu sou
Eu sou de Minas Gerais


Eu bebí Jurema eu bebí Jucá
Mas olha lá malvado eu vou te derrubar
Sustenta o dicisplo para nâo tombar


123.Cidade minha ô
Cidade minha


Mas o que fazem Srs. Mestres
Na cidade minha

124. Eu sou de Alagoas
Eu sou de Alagoinha
Que pisada é essa mano?
Que a pisada é minha

A pisada é minha
A pisada é minha


Eu fui na lata de farinha
Eu fui num samburá de vara
Peguei uma piabinha daquela pequenininha
Que na linha deu um nó que lá no mar nâo tinha

A pisada é minha
A pisada minha


125. Camarada camarada
Camarada bom sou eu
Camarada camarada
Quem engana o outro é judeu

Dá-lhe Srs. Mestres com sipó de caiumbinho
Com cipó de caiumbinho, com sipó de caiumbinho

126. Maribondo amarelo me mordeu
Na capela do olho e nâo dou
Bote a canga no boi Sr. Zé mateus
O ferreiro fez a foice e nâo bateu
Mas em todas paragens do mundo...

...camarada leal só sou eu


127. Ó meu amigo, nâo repare meu andar
Cambaleando sempre foi meu natural
Eu sou pau d’água, sou um rei, sou coroado
Nas quitandinhas sou fraguêz considerado


Nas quitandinhas eu sou freguêz considerado
E os quitandeiros já nâo querem vender fiado
Chega o polícia e me dá ordem de prisâo
Me leve preso, eu vou dormir na detençâo


E as seis horas ninguém pode mais beber
Os quitandeiros, já nâo querem mais vender
Eu gosto sempre de andar na minha linha
Eu trago no bolso sempre a minha garrafinha

Quando eu morrer quero na minha sepultura
Uma pipa cheia de aguardente sem mistura
Um encanamento que me leve até a boca
Em pouco tempo eu deixarei a pipa oca
Meu mestre me chamou, eu vim foi trabalhar
Eu sou Sibamba, bêbo cana
Nâo prometo prá faltar

E com meu garrafâo de pinga
Tombo aqui e caio acolá

Eu estou pensando no que vou fazer
O meu pensamento só está em você

Meu arerê meu arerê – Sibamba
Meu arerê meu arerá – Sibamba
Sou mestre velho e feiticeiro – Sibamba
Que nâo prometo prá faltar – Sibamba
Mas onde sua força está – Sibamba
Tá no tronco do Juremá – Sibamba


Quebre o galho Sibamba quebre o galho
Quebre o galho Sibamba quebre o galho

Eu mandei chamar – Sibamba
Prá trabalhar – Sibamba


128.Na Igreja do Juazeiro
Tem vinte e cinco janelas
Cada janela um cruzeiro
Cada cruzeiro uma vela

Na Igreja do Juazeiro
Tem três castelos encantados
Mas um é feio, outro é bonito
E o outro é malasombrado

Eu vou lhe dizer meu nome
Prá você nâo se enganar
Eu me chamo Pedro Paulo
Nâo mando, levo prá lá

Ê marimbadê
Ê marimbadá

129.Tomando cana, tomando cana
Tomando cana meu guará tomando cana
Toma cana meu guará....

...meu guará tomando cana


130.Sibamba no mundo
Que vida é essa a sua?
É tomando cachaça
E caindo na rua

131. Eu pisei na rama
E a rama estremeceu
Tem cuidado com a cachaça morena
Quem bebeu morreu

Eu pisei na rama
E tornei a pisar
Tem cuidado com a cachaça morena
Prá nâo se embriagar


132.Príncipe meu, príncipe teu
Bebo eu e bebe tu
Bebe tu e bebo eu...


133. A cachaça é boa
É do pé da jarra
Aqui mesmo eu bebo
Aqui mesmo eu caio
E aqui mesmo me levanto...
...sem dar trabalho

134.Ô meu irmâo
Ele é mamno meu
Cadê o meu irmâo
Que nâo vem beber mas eu

135. A chuva está caíndo
Prá molhar meu juremá
E a semente que eu plantei
Eu já mandei o mestre buscar

Semente semente
Que eu mandei buscar
As sementes pretas do meu maracá
A cabaça caiu espalhou a semente
Diga a meu mestre que mande mais gente

136.Ô meu avô,
O que faz por este mundo?
Eu venho do cruzeiro mestre
Venho sementar o mundo


Com a direita eu ensemento
E a esquerda é prá sustentar
Mas se nâo fizer o que eu mando
Eu dou e torno a tomar

A desgraça do pau seco
É ver o verde florar
O mato seco pega fogo
Lé vai o verde a ramar

Mas haja pau madeira e lenha
Mas haja madeira prá lá...

Quem brinca com mestre
Nâo sabe o que é que faz
Quem nâo sabe traçar baralho
o seu baralho só dá ás

137.Eu fui a Lagoa de Baixo
Comprei um sapato por quatro e quinhentos

A força quem dá é o motor
Entregando a Nestor
Ele sopra no vento

138.Em Gravatá tem eletricidade
Mas ninguém sabe quem foi que botou
Foi um mestre que veio da Alemanha
Enimigo me apanha no pé do motor

É na batida do meu motor
É na batida de meu motor

Enimigo me panha...

139.Ô zim zim zim zim
Eu sou um torto malvado
Eu matei pai e matei mâe
Nas ondas do mar sagrado

Eu sou da umbanda
Eu sou da quibanda
Eu sou Pau-Torto das encruzilhadas

140.Comprei, paguei, tive pena
Foi na saída da fazenda
Que o meu garrote urrou

Nâo tenho nada com isso
A vida é um suplício
Feliz de quem Deus marcou

Do Pina à Boa Viagem
Um guarda quase me pega
Foi com uma fumaça contrária
Mandada por Quebra-Pedra

Sou eu, sou eu
Manuel Quebra-Pedra sou eu
Ando solto no mundo
E ninguém nâo me pega


Cada fumaça é um tombo e uma queda

141.Do Pina à Boa Viagem
Lampiâo quem arrebenta sou eu
Sou eu Manuel Quebra-Predra Ô
Manuel Quebra-Pedra sou eu

Sou eu, sou eu....

142.Estou saudando estou chamando
O bom mestre das Aroeiras
Tanto mata, como cura,
Como deixa na poeira

No meu sígno salomâo
Tem um verme encarnado que encarnou
Aroeira é mestre é bom mestre
Aroeira é mestre curador


Sustenta teu filho na jurema
Sustenta teu filho no nagô

143.Setenta anos
Eu passei no pé da jurema
Mas eu nâo tenho pena
De quem me faz o mal

Se eu me zangar
Eu boto fogo no rochedo
O meu cahimbo é um segredo
Desta vez vou me vingar

Se eu vim de lá
Com ordem do Criador
Sou mestre sou juremeiro
Na santa paz do Senhor


144.Eu sou Coquinho Vermelho
Eu moro na beira da praia
E no lugar que eu arreio
Os catimbozeiros trabalham


Eu já firmei o meu ponto
Na mata do Cipoá
Meu nome é tira mendinga
E arrebenta patuá

Catimbozeiro medroso
Nâo tenha medo de nada
Só tenha medo da morte
E da Jurema sagrada

145.Casa de palha é munquifo
Se eu fosse o fôgo eu queimava

Catimbozeiro medroso
Se eu fosse a morte eu matava...


146.Eu quero ver se a lenha é forte
Se o serrote nâo serrar
Serra serrote
Serrote serrá



147.Andorinha preta
Onde é o seu ninho?
É no pé da carrapateira
Na casa do mau vizinho
148.Se correr morre
Se ficar apaña
Eu vou botar meus enemigos
Numa casa de araña


Eu vou botar meus enemigos....


149.Quando eu morrer
Quando eu morrer
Pegue os meus “axés”
E plantem num cruzambê

Para nâo chorar, para nâo sofrer
Para nâo chorar, meus irmâos
Plantem no cruzambê

150. Foi uma festa muito grande
No dia que eu me passei
Mas alguém chorou
Foi um recado que eu deixei


151. Amigo brinque direito
Para nâo se atrapalhar
A minha esquerda é pesada
Eu gosto é de malvadar


Eu sou muito prevenido
Com três penas de urubú
Eu trabalho com o bicho da loca
Que é o sapo cururú
Mas se eu estiver perdendo
Eu solto o dabo atrás de tu
Corre moleque...
...E o diabo atrás de tu
152.Jararaca Cainana,
Atravessou o meu caminho
De perto me queres bem
De longe falas de mim
Ô gibia...
...cobra tamanduá

153.Pássaro valente
Eu só conheço o bem-te-ví

Está em cima, está em baixo – está dizendo pode vir
Está na ponta de uma faca – está dizendo pode vir
Está num cano de revólver – está dizendo pode vir...

154.É hoje mamâe é hoje
O dia do meu batizado
Se eu nâo vencer com Jesus Cristo
Eu venço é com seissestos Diabos

É com seissentos diabos, é comseissentos diabos
Aa macumba só é boa com seisssentos diabos

155.Mestre quando é bom mestre
Nâo discute com ninguém
Jôga a fumaça prá cima
E resolve no além

156. Sustenta o ponto meu mestre
Filho de Umbanda nâo cai
Quando eu chamar você vem
Quando eu mandar você vai

157.A minha terra é muito longe
O meu gongá é na Bahía
Quando precisar me chame
Manoel Coché o coveiro da Bahía

Ô dá-lhe, dá-lhe
Na canela da defunta...
158.Comigo ninguém pode
Só Deus e mais ninguém
Sou eu Antonio Pereira
Nunca fiz mal a ninguém

Num dia de quarta-feira
Eu fui à mata caçar
Cacei pinica-pau
Que pássaro bom prá pinicar

Mas caçador quem foi
Quem mandou você caçar
Caçador quem te mandou
Você matar meu sabiá

2 comentários:

Flor disse...

boa noite e parabéns ao responsável pelas postagens dos pontos dos Mestres. Gostaria que me enviasse estes mesmos pontos cantados, um vídeo ou gravação, para que eu possa ouvir os pontos, seus ritmos. ficarei agradecida. Sou Umbandista e moro em São Paulo, aguardo contato, meu e-mail- ckstanho@hotmail.com

naely disse...

ola, amei os pontos cantados estão belissimo meus parabens
amo muito a jurema e seus belos pontos
será que vcs poderiam me mandar um ponto completo do mestre durval
ficarei muito agradecida
meu e-mail: Naelyej@hotmail.com
ou Naely.helena@gmail.com